Na terra dos gringos: Compra de imóveis no exterior atrai brasileiros

28/01/2018 - Notícias de Mercado

RIO — O mercado imobiliário do Rio pode até estar passando por uma marola ruim, mas em compensação, na Flórida, nos Estados Unidos, os brasileiros estão ajudando a aquecer o segmento local. Seja por sonho de mudar de cidade, desânimo com o Brasil ou apenas uma oportunidade de emprego, é grande a debandada para a terra dos gringos.

Os principais destinos acabam sendo Orlando e Miami. E a preferência dos brasileiros também inclui casas, em especial próximas a uma rede de serviços. Em relação ao perfil, há uma procura grande por famílias, sendo que algumas não residem o ano inteiro, mas passam alguns meses e depois alugam a propriedade. E tem aquelas que vão e locam até se sentirem seguras para a mudança definitiva.

— Miami tem um custo de vida mais alto. O brasileiro prefere casa com três a quatro quartos, mas em Miami tem muita procura por apartamentos também — esclarece Leo Ickowicz, sócio-presidente da Elite International Realty.

De acordo com Ickowicz, uma casa de uns 200 metros quadrados em Orlando custaria em torno de US$ 300 mil para compra e US$ 1.600 para aluguel mensal. Na vizinha Miami, os valores estão na média de US$ 500 mil e US$ 3 mil para a mesma tipologia, respectivamente.

Além disso, a localização pesa muito, principalmente seo imóvel está próximo aos parques, facilidade de serviços e investimentos.

Busca por facilidades

Sonia Chalfin, diretora da imobiliária Precisão, pontua que como há muitas famílias interessadas na mudança, uma das regiões mais procuradas em Miami é Weston, pelas escolas públicas que oferece. Ela também destaca as área de Aventura, Sunny Isles, Bal Harbour, Miami Beach e Brickell.

— Em função do desencanto brasileiro, de meados de 2017 para cá estamos vendo, mais uma vez, uma leva de brasileiros voltando a investir em Miami para morar. O perfil do comprador e a região escolhida variam muito com o que ele quer. Normalmente para imóveis de férias, são os serviços que os condomínios oferecem que chamam mais atenção do comprador — diz Sonia.

Ickowicz, que está neste mercado há 27 anos, compara a debandada de agora com a que ocorreu nos anos 1990, quando começou o negócio justamente em decorrência do interesse de brasileiros em fugir da violência no Brasil.

— Clientes cariocas, que amam sua cidade, estão preferindo mudar para outro país, como os Estados Unidos, para fugir dos assaltos, sequestros e de toda insegurança. E acabam por trocar a qualidade de vida que têm no Brasil por Miami. O gasto médio de um imóvel é acima de US$ 650 mil — comenta Fernando Bergallo, diretor de Operações de Câmbio da FB Capital.

Financiamento e visto

Marcio Cardoso, diretor geral da Sawala Imobiliária, destaca que o mercado norte-americano também está atento ao público brasileiro e se estruturando para passar segurança na transação para a compra do imóvel.

— Nossa empresa se especializou neste segmento e hoje os negócios realizados em Orlando têm um impacto considerável em nosso faturamento — admite.

Quanto ao financiamento, eles dizem que é parecido com o Brasil. A entrada varia entre 30% e 40%, e o restante pode ser feito por lá mesmo ou por agências locais.

Já em relação ao visto geralmente é o de turista mesmo. E eles explicam que não ajuda nem atrapalha para conseguir o de residente. Aliás, muitos nem querem, para não serem tributados como cidadãos em dois países.

— O processo é relativamente simples, sem complicações. Para adquirir o imóvel nos Estados Unidos, o comprador tem provar que os 40% são seus e também que tem como manter as contas do Brasil e de lá — lembra Ickowicz.

Matias Alem, arquiteto e fundador da Beyond Realty Group, também viu potencial nesse nicho. Além de ajudar a encontrar imóveis, expandiu os serviços e oferece arquitetura, construção e gerenciamento da propriedade.

Só que ele atua num mercado de luxo em que as unidades variam entre US$ 5 milhões e US$ 20 milhões. As preferências são por South Miami Beach e Brickell, onde há praia. Vai encarar?

Em Portugal, Lisboa tem a maior procura

Outro país que está na mira dos brasileiros que querem debandar é Portugal. A facilidade do idioma e da istância razoavelmente curta do Brasil são diferenciais.

Também atenta a este mercado, o casal Cristina Pires do Rio e Marcelo Paschoal fundou a Safe LX, que é uma espécie de mistura de imobiliária com suporte para adaptação dos brasileiros de coração lusitano.

— Há uns cinco anos, trabalhávamos com investimento e vimos que as pessoas estavam sacando suas economias e indo para Portugal. A procura aumentou, especialmente no ano passado. Viemos conhecer o mercado em 2013 e começamos a oferecer este serviço personalizado. Ajudamos a achar o imóvel, abrir conta no banco, procurar escola. Tudo o que o novo morador precisa para se estabelecer com tranquilidade — afirma Cristina, que se divide entre Rio e Lisboa.

preços variam muito

De acordo com ela, a maior procura é pela capital Lisboa e, em segundo, pelo Porto. Há muitos migrantes que preferem primeiro alugar para depois comprar. Na Europa, segundo ela, a preferência dos brasileiros é por dois a três quartos. Os valores variam.

— É como comparar os preços do Leblon com Flamengo, depende muito do bairro. Mas, em geral, um imóvel de dois quartos vai custar em torno de € 600 mil para compra e um de quatro quartos para alugar, cerca de € 4 mil — explica.

Cristina esclarece, ainda, que o financiamento costuma ser feito nos bancos portugueses mesmo. No caso da locação, ela explica que como há um incentivo para os de curta temporada em Lisboa, alugar um imóvel a longo prazo pode acabar ficando mais caro e difícil, tamanha a demanda.

/ fonte: O Globo

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